quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Tombos

Há palavras que nunca pronuncio como azar ou enguiço. Só de as escrever já tremo ligeiramente, fruto do meu lado supersticioso que herdei do meu pai. Tem tudo a ver com a velha história, não dizer para não atrair. E este pensamento apesar de estapafúrdio acaba por me fazer sentir mais protegida. Mas o certo é que esta fórmula mágica anda a falhar. Eu não digo as palavras, juro que não, mas aqui e ali o que elas designam vai acontecendo. Na sexta feira passada senti-me verdadeiramente de coração partido. Aos poucos tenho vindo a juntar as peças porque felizmente as exigências do dia a dia não se compadecem dos meus dramas existenciais e isso ajuda. Agir para não pensar (muito). Em complemento, ontem estatelei-me no chão enquanto passeava o cão. Uma queda de tal aparato que me deitou literalmente por terra deixando pernas e braços doridos pelas feridas abertas e hematomas feios. E eu só quero que os dias passem e todas as mazelas visíveis e invisíveis passem com estes. E que passem depressa que eu tenho pressa em ser feliz. 



sábado, 14 de setembro de 2013

Cálculos impossíveis

De quantas bolachas maria barradas com quantidades obscenas de nutella embebidas em leite morno,
de quantas noites em branco, onde na nossa mente povoam pensamentos negros e a antecipação de cenários negativos,
de quantas olheiras profundas, medalhas do cansaço, 
de quantos olhos inchados de tanto chorar, medalhas do sofrimento, 
de quantos ataques de choro convulsivo, 
de quantas caixas de Kleenex,  
de quantos desabafos com amigos, 
de quantas sessões de psicoterapia, 
de quantas caixas de Xanax, 
de quantos segundos, 
de quantos minutos, 
de quantas horas, 
de quantos dias,  
de quantas semanas, 
de quantos meses,  
de quantos anos, 
precisa alguém para consertar um coração? Que não foi partido, porque é mais fácil colar os cacos do que foi partido do que daquilo que se estilhaça em milhões de pedacinhos, como é o meu caso. É que eu nunca fui boa a matemática, achava que nunca me iria fazer muita falta. Agora percebo que não.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Pequenos Prazeres da vida #1

Acabar a semana com a Vogue acabadinha de sair e um (ou vários) copos de Lambrusco Rosé. Vou é desfrutar deste pequeno prazer para o quarto já que na sala tal tarefa revela-se impossível com os ânimos exaltados graças ao jogo da selecção...


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Portugueses em saldo

Este sábado experimentei participar num dos chamados "Open Days" que algumas companhias aéreas vêm fazer ao nosso país, por forma a recrutar pessoal de cabine (assistentes e comissários de bordo). Já há bastante tempo que andava com esse desejo e desta vez lá tentei a minha sorte. Agora o que eu jamais imaginava é a forma como as coisas se processam nos mesmos. No site dizem para quem estiver interessado estar no hotel x às 9 em ponto da manhã, vestido de forma formal e acompanhado do CV e de uma foto. Na minha inocência cheguei pontualmente e qual não é o meu espanto quando me dizem para me dirigir para o fim de uma fila de cerca de 400 pessoas que dava a volta ao quarteirão da rua do hotel. Ainda meio incrédula vi rapidamente atrás de mim chegarem num espaço de minutos mais umas centenas. No fim do dia disseram-nos que ao todo tinham sido 600 as pessoas que ali se deslocaram com o mesmo propósito. A fila andou e entrou no hotel a primeira leva do dia. Eu fiquei na segunda, cerca de 200 pessoas que esperaram cerca de 6 horas (sim chegámos às 9h e entrámos no auditório às 15h) na garagem do hotel, ambiente quente a tresandar a dióxido de carbono. Tanto tempo de espera serve para travar conhecimento com os companheiros de fila e rapidamente as conversas fluem, as pessoas tornam-se solidárias e revezam-se para ir almoçar. Saem sapatos de salto alto, saem gravatas, os cabelos desgrenha-se, a maquilhagem desaparece e o chão torna-se um lugar de descanso onde camisas brancas e saias tubo impecavelmente engomadas na noite anterior ganham vincos e nódoas. Percebi que a maioria eram pessoas dos 25 aos 35 anos, licenciadas, que ou estavam desempregadas ou como é o meu caso trabalhavam numa área que as frustava e onde eram mal remuneradas. Basicamente todos almejavam mudar de vida e invariavelmente sair do país, já que neste caso a companhia é sediada no Dubai. E ali estivemos, horas a fio sem reclamar, a suar em bica, o cansaço a acumular-se e o nervosismo a aumentar. Mas ninguém reclamava. Chegados ao auditório aguardavam-nos duas mulheres cuja nacionalidade não consegui decifrar mas com um inglês com sotaque carregado, que nos explicaram em cinco minutos os requerimentos para o lugar e que aquele dia apenas servia para entregarmos o nosso CV com uma foto e que dedicariam a cada pessoa cerca de 30 segundos, não mais. Chegada a minha vez entreguei o cv e respondi à única pergunta que me foi feita: se trabalhava no mesmo sítio há 5 anos porque queria agora mudar. Só tive tempo de balbuciar qualquer coisa como estar motivada a mudar de vida e a aprender coisas novas. Nem vinte segundos até ela me dizer "thank you for coming" e eu estar a caminho da porta sem perceber muito bem como tinha corrido ou o que raio se tinha passado ali. O que me surpreendeu e continua ainda a fazer-me "ruminar" foi o facto de comunicarem que as pessoas que passassem à segunda fase do processo, que decorreria no domingo, seriam contactadas por telefone até às 20h.  Mas que raio de técnica usam aquelas duas para em cerca de duas horas analisarem 600 Cvs e telefonarem para não sei quantas centenas a pedir que regressem? Será que é como naqueles concursos em que uma assistente mergulhava numa "piscina" de cupões e retirava à sorte o vencedor? Não entendo e acho que vou continuar sem resposta uma vez que não fui uma das felizes contempladas com o telefonema da sorte. Sinceramente não me importei muito, tirando o facto do desconforto que toda aquela espera causou. Não sinto que tenha falhado porque fiquei com a sensação de nem sequer ter tido uma oportunidade. O que conclui é que se todas aquelas pessoas estavam dispostas a deixar o seu país, as suas casa e aqueles que amam, com direito a apenas uma viagem por ano ao país de origem e com um vencimento mensal de 1870 euros,  definitivamente nós portugueses aos olhos dos empregadores estrangeiros estamos definitivamente em saldo.  


sábado, 10 de agosto de 2013

meu querido mês de Agosto.

Como diz a música, "há quem passe o ano inteiro a sonhar" com este mês. Eu a teme-lo. Desde sempre que o mês de Agosto é para mim assim uma espécie de travessia do deserto no calendário anual. Por outro lado, anseio o mês de Dezembro, o meu favorito. Para isso deve contribuir o facto de não gostar do verão, do calor nem de praia. Já piscina, adoro, mas isso agora é horizonte longínquo. Fica para quando a vida melhorar e eu puder viver num condomínio de luxo com uma ou enfiar-me uma semana num hotel 5 estrelas quando os termómetros disparam. Todos os anos trabalho em Agosto, sinto-me sempre em contra-ciclo mas gosto. Gosto menos quando durante este mês me perguntam todos os dias "quando tiro férias?" e só ouvimos ou lemos coisas como "vou de férias", " boas férias", "finalmente férias". Não sei quando é que foi decretado, mas em Agosto o país pára, não há notícias, a televisão passa programas ainda piores e o pensamento colectivo torna-se ainda mais pastoso. Valham-me os gelados, as sangrias, os mojitos, coca-colas carregadinhas de gelo e limão e as esplanadas ao fim do dia. 


Assim Agosto talvez já não me soubesse tão mal...

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Amanhã começo a dieta

Cheia de bacalhau à brás, Lambrusco e gelado até à alma. Genuinamente feliz pela sensação. Deve ser mesmo verdade aquilo que dizem, que a felicidade se encontra nas coisas simples da vida. Pena é que eu seja tão feliz, simplesmente feliz a comer. mas não tão feliz a engordar. Amanhã começo a dieta ou não, que neste momento não estou em condições de desperdiçar nem uma partícula de felicidade. 


sábado, 20 de julho de 2013

Gata borralheira

Hoje, para variar, tenho a casa impecavelmente arrumada e limpa. Tudo nos devidos sítios. Roupa passada, loiça lavada, chão aspirado e pó bem limpo. É certo que daqui a menos de três dias já estará tudo do avesso mas esta organização externa acalma-me um pouco. Quem dera que fosse assim tão fácil num dia arrumar as gavetas que tenho desorganizadas na minha cabeça e no meu coração.