A vida com que uma mulher recém chegada aos trinta nunca sonhou, mas que é a que tem. Por enquanto...
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Como é linda a puta da vida*
Eu não sou grande fã do Miguel Esteves Cardoso, mas reconheço o seu talento para criar frases que tão bem resumem a minha vida. Esta hoje não me saiu da cabeça, quando logo de manhã cedo, aterrou na minha secretária uma volumosa carta da querida Segurança Social. Ora sendo eu uma trabalhadora dita "independente", ou seja, que trabalho a recibos verdes apesar de prestar serviços apenas a uma empresa, o meu coração começou de imediato a palpitar. De alegria e contentamento como se deve imaginar. Não que eu já não desconfiasse que mais dia menos dia o "monstro adormecido" iria acordar e vir ter comigo. Confesso que tenho andado a assobiar para o lado e falhado os pagamentos. Dão-se meses em que não ganho sequer o montante que estes senhores estabeleceram como o pagamento mensal que lhes devo, em troca deixa cá ver de basicamente NADA, já que não tenho direito a subsídio de desemprego nem coisa que o valha. Nesses meses achei por bem gastar mensalmente esse dinheiro na ajuda do pagamento de pequenos luxos como comida, renda de casa, contas da água, luz, ou gás. Certo é que quando abri o envelope e vi o montante que tenho em divida fiquei inicialmente atónita e com o passar do tempo cada vez mais enraivecida. É claro que os senhores são muito queridos e anexam impressos para que paguemos a dívida em suaves prestações. Sim porque tudo o que eu preciso é de mais uma prestação mensal para no fim receber em troca: como é que é mesmo? NADA. É o chamado fundo perdido porque reforma também não a vou ter com toda a certeza. Mas enfim nada que não se resolva como tudo neste país, largando os cordões à bolsa. Posso começar por prescindir da comida já que tenho peso a mais e do gás já que dizem que a água geladinha logo pela manhã faz bem à circulação e ajuda a despertar. Ai e o que eu anseio fortemente que chegue amanhã, dia em que terei de acordar por volta das cinco da manhã para ver se consigo uma mísera senha e me expliquem como se eu fosse muito burra, como chegaram àquele montante de milhares de euros quando o meu rendimento é de chorar a rir. E como hoje já sabia que iria passar a noite em claro resolvi ir ao supermercado para estar agora aqui a cozinhar desenfreadamente. Bolo de chocolate a cozer no forno para levar uma fatia fresquinha aos simpáticos funcionários da SS e carne de vitela estufada com legumes para o almoço de amanhã. É que por este andar para a semana a ementa vai intercalar entre ovos mexidos com salsichas e arroz com atum. E realmente é isto, a vida pode ser linda mas para mim ultimamente só tem sido é muito PUTA.
* título do último livro de compilação de crónicas do Miguel Esteves Cardoso, publicado este ano pela Porto Editora.
P.S.: E já para não falar que por cada recibo que passo 25% é automaticamente retido na fonte, sendo cuidadosamente acomodado nos cofres do estado...
domingo, 20 de outubro de 2013
Até onde conseguimos aguentar?
Costumo ir semanalmente ao cinema, sou uma cinéfila
inveterada. mas ultimamente têm sido desilusões atrás de desilusões. Valham-me
os baldes de pipocas doces para que não fique tudo perdido. O último filme que
me fez sair realmente satisfeita do cinema foi o "Blue Jasmine" do Woody
Allen. Não me vou pôr aqui armada em crítica de cinema a analisar os diálogos,
as interpretações, a fotografia, a banda sonora e eu sei lá mais o quê, que
para mim os filmes inserem-se em duas simples categorias:" gostei" e
"não gostei". Também ajuda muito o facto de eu adorar a Cate Blanchett
e quase todos os filmes deste realizador. Mas desta vez a actriz superou-se,
estava perfeita no papel de Jasmin. Uma mulher mentalmente instável, que depois
de uma vida repleta dos maiores luxos em Nova Iorque, casada com um magnata das
finanças, se vê sem nada após a prisão do mesmo por corrupção, tendo que pedir
guarida na casa da irmã adoptiva em São Francisco de seu nome Ginger que tem um
gosto duvidoso para roupa, penteados e homens. Da vida sumptuosa que Jasmim
levava, restou-lhe o fino trato, a pose quase aristocrática, um tailleur branco
Chanel, uma Birkin da Hermés que usa praticamente durante todo o filme e um
cocktail de ansiolíticos e anti-depressivos que toma como se fossem smarties, para
tentar alienar-se da queda livre em que a sua vida se transformou.
Gostei do filme por muitas coisas mas a principal foi
porque me pôs a pensar. Há uma frase que a personagem diz a respeito do facto
de ter sofrido um surto psicótico e ter sido apanhada a falar sozinha no meio
da rua: "Anxiety, nightmares and a nervous breakdown, there’s only so many
traumas a person can withstand until they take to the streets and start
screaming”. O que em português seria qualquer coisa como: " Ansiedade,
pesadelos e um esgotamento nervoso, a quantos traumas pode uma pessoa resisitir
até ir para as ruas e começar a gritar?". E o que me inquietou foi não
saber ao certo no meu caso, a resposta a esta pergunta. Sei que a capacidade de
resiliência varia muito de pessoa para pessoa. A minha mãe, por exemplo, é a pessoa mais resistente
que conheço. Já passou na vida por coisas terrivelmente duras e sempre
conseguiu superar-se e sair fortalecida. Eu acho que isso herdei um pouco dela.
A minha vida já teve tantos altos e baixos (ultimamente mais baixos), daqueles
mesmo complicados, que quando pensava que se um dia me acontecessem nunca iria
resistir e quando esses dias chegaram superei, com sequelas mas aqui estou. Mas
isso não significa que durante a travessia das tempestades, não tivesse achado
que já não dava mais, o copo já tinha transbordado e só me apetecia desistir. E
para mim desistir significaria entregar-me e dar-me como louca, esgotada, uma
mulher descabelada as gritos por ajuda no meio da rua. Também duvido que alguém
se compadessece mas isso já é outro assunto. Certo é que com 30 anos já tive e
continuo a ter a minha quota parte de desaires, daqueles amargos e isso nunca
me quebrou, ou mais importante, fez perder a esperança. Eu acredito sempre que
se consegui superar antes um obstáculo à minha felicidade, também o conseguirei
superar agora e que um dia tudo serenará e encontrarei o equilíbrio tão
desejado. Por isso só posso concluir que consigo aguentar muito e que
provavelmente só me verão a gritar em plenos pulmões no meio da rua,
quando o
meu Sporting for campeão. terça-feira, 15 de outubro de 2013
Carochinha
No dia em que eu chegar a casa e estiver à minha espera um lindo homem, que me pergunte o que quero jantar, o cozinhe divinalmente, arrume a cozinha, passeie o meu cão, despeje o lixo e me adormeça no seu peito com festas no cabelo, convencendo-me que vai tudo correr bem, eu caso-me. É por isso que desconfio seriamente que vou morrer solteira.
sábado, 12 de outubro de 2013
Comer para esquecer
Esta semana foi definitivamente para esquecer. Não que tenha acontecido nada de particularmente mau, eu é que não andei bem. Como não consigo encontrar assim uma causa óbvia, culpo as hormonas, das quais nós pobres mulheres somos escravas. Elas mandam e nós obedecemos.
Cada um tem os seus mecanismos para lidar com estes fantasmas que por vezes nos assombram, e se uns bebem para esquecer, eu como. E como muito. Especialmente tudo o que contenha hidratos de carbono e quantidades obscenas de gordura saturada e açúcar. E como tudo na vida pago um preço por isso. Perco o dinheiro mal gasto e ganho quilos desnecessários. Hoje ao almoço, enquanto devorava um delicioso hambúrguer, folheava uma revista de moda repleta de mulheres lindas e esculturais e pensei que nem o gosto que tenho por trapos me faria abdicar desta mania de me confortar com comida. A coisa só não descamba assim para as centenas de quilos porque compenso com algum exercício e alguma contenção quando consigo. Já me explicaram que padeço de qualquer coisa como "alimentação emocional"mas nunca me apeteceu muito explorar esse tema. Provavelmente porque isso me obrigaria a aprofundar as causas desta "fome" e há coisas com as quais vivo melhor na ignorância. É que suspeito que sou mais feliz a comer do que infeliz na hora de me pesar. E depois posso sempre dizer que se estou gorda a culpa não é minha, é das hormonas.
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| Ao almoço |
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Trocar a rotina
Tal como referi no post anterior, esta semana está a custar-me. Por isso hoje, quinta- feira, decidi trocar as voltas à rotina e fazer um jantar especial, coisa que só costuma acontecer à sexta ou ao sábado. Sendo assim lá pus mãos à obra na cozinha e fiz uma boa sangria de vinho branco, bacalhau com broa e para finalizar e não variar bolo de caneca de chocolate, que já se tornou um vício cá por casa. Cozinhar tem-se revelado um verdadeiro escape. Ainda bem, podia dar-me para pior. E que amanhã seja uma sexta-feira em grande.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Não me apetece
Tal como para a maioria, as segundas-feiras para mim são penosas. E estas últimas ainda mais dado que nestes dois últimos fins de semana não descansei nada. No penúltimo por estar a trabalhar e neste último por duas jantaradas e um passeio seguido de cozido à portuguesa num domingo, que apesar de quase perfeito não deixou de ser cansativo. E o que eu gosto de descansar. Sou feliz quando não tenho que fazer nada de nada. Isto porque sou uma pessoa preguiçosa por natureza, mas mesmo muito. Ou talvez seja o facto deste ano não ter tido férias, também pode ser disso. A realidade é que hoje quando me vi forçada a acordar, senti que só um guindaste para me conseguir arrancar à cama tal era o sono e o cansaço. E começo a semana assim sem vontade. Não me apetece enfrentar o trânsito, os telefonemas chatos, as reuniões ainda mais chatas, a fila no supermercado, os jantares, a loiça, os passeios do cão, o ginásio e tudo o mais. O que me conforta é que dê por onde der o próximo fim de semana vou deliciar-me a não fazer nada. Ainda bem que gosto e que sou boa nisso, porque nos tempos que correm a minha conta bancária também não me permite fazer muita coisa.
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