quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Correrias

Já há dois anos que saí de Lisboa e reconheço que a minha qualidade de vida melhorou substancialmente. Os anos de vida que se perdem no trânsito, tentações a cada esquina que nos fazem gastar o que não devemos, o preço de bens e serviços inflacionados, de tudo isto não tenho saudades. Mas hoje passei o dia a viver como vivia naquilo que chamo "a minha outra vida". Perdida nos meus pensamentos a cada sinal de trânsito, sempre a correr de compromisso em compromisso, almoçar um bom sushi, devorar um pão de deus da Padaria Portuguesa ao lanche, queimar a língua com uma bica a ferver bebida à pressa no balcão. E chego ao fim do dia assim, cansada mas satisfeita. E ainda com um resto de energia para ter uma quiche no forno, fazer duas máquinas de roupa e uma de louça. Amanhã há mais. E eu gosto disso. 


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Desconectada

O meu velho portátil há muito que andava a ameaçar que já tinha dado o que tinha a dar, eu fui ignorando, até ao dia. Agora escrevo do meu novo brinquedo, uma extravagância de natal antecipada que ofereci a mim mesma, apesar de não conseguir deixar de sentir umas pontadas de culpa consumista, dado que o antigo ainda tinha arranjo. Quando fiquei sem computador e consequentemente sem acesso à internet fiquei completamente histérica. Primeiro porque o portátil é o meu principal instrumento de trabalho e temia perder a informação que ele continha e em segundo porque sou completamente viciada na net. Fiquei apenas um dia sem portátil e parecia sempre que me faltava alguma coisa. Fiquei agitada, ansiosa, qual adicto sem o seu vício. 
Lembrei-me então do último bom filme que vi no cinema, "Disconnect" ( em português "Desligados"). O filme cruza três histórias que abrangem temas como problemas conjugais, dificuldades de comunicação entre pais e filhos, cybersexo e cyberbullying. O que todas as histórias tem em comum é o facto dos protagonistas das mesmas viverem, cada um à sua maneira, desligados da realidade, das suas relações pessoais, numa solidão pessoal e íntima colmatada pelo uso da internet e das suas redes socias, através de portáteis, tablets ou smartphones que proliferam e fazem com que estejamos sempre conectados. Ou melhor, cada vez mais conectados com um mundo virtual e cada vez mais disconectados com o mundo real, na minha opinião. Não quero estar para aqui com discursos à velho do Restelo, lamentando a evolução dos tempos e saudosista do que já não volta, não faz o meu género. Sou mais do estilo de viver o melhor possível o presente sem remoer demasiado no passado ou antecipar muito o futuro. Prefiro assim, vivo mais calma. Mas não deixo de ter alguma dificuldade em ver e sentir que andamos cada vez mais auto-centrados e consequentemente cada vez mais distantes uns dos outros. Cá em casa, por exemplo,  são inúmeros os serões em que está cada um para o seu canto, agarrado ao portátil, ao tablet ou ao telemóvel. Calculo que seja mais forte que nós.  O tempo passa a voar e de repente sabemos mais novidades sobre a vida de uma blogger do que de uma amiga que já não vemos há algum tempo. Mas no fundo, acredito que a necessidade de estarmos fisicamente junto de quem gostamos acabará por vingar. Haja fé no ser humano. Quanto ao filme, aconselho vivamente, vale mesmo, mesmo a pena. 





quarta-feira, 27 de novembro de 2013

minha rica bimby

Se há coisa que gosto de fazer na vida é cozinhar. Começou por ser uma necessidade para aos poucos se tornar num prazer. Gosto do som da carne ou peixe frescos quando caem sobre a chapa quente da frigideira, do vapor que invade a cozinha quando escorremos a água de uma cozedura, de envolver calmamente as claras na massa de um bolo ou do cheiro do chocolate que derrete em banho-maria. E quem cozinha e gosta, sabe que ter os acessórios certos é meio caminho andado para que as coisas corram bem. Foi com esse intuito que há uns anos comprei a tão afamada bimby. Que para mim é tão só, e apenas, um excelente robot de cozinha. Daí não entender a verdadeira adoração que muita gente nutre pela máquina e o facto de já ter perdido a conta às vezes em que a mesma se tornou tema de conversa entre mulheres e até homens, menos dados a estas lides. "Eu já não vivo sem a minha bimby", "O meu Miguel só come as sopas da bimby", "Ah isso eu faço na bimby", "Gostaste? Fiz na bimby" e por aí fora... Um enfado que me faz revirar os olhos. Há uns tempos a bicha avariou-se e lá tive de a levar a ser reparada.  Hoje quando a fui buscar, enquanto aguardava a minha vez, assistia a um casal que foi levar a pequena à reparação. E digo "a pequena" porque mais parecia que levavam um bebé ao pediatra. Tal era o cuidado com que a tiraram de uma bolsa própria para a transportar, com que a pousaram no balcão, a forma velada com que se queixavam dos sintomas da bicha, enfim das duas uma, ou estão a precisar de ter um filho ou um cão. Chegada a minha vez lá  paguei a pequena fortuna que custou o arranjo e trouxe-a num saco de plástico onde a colocaram, caso contrário vinha à mão mesmo. É que para mim uma máquina ainda é uma máquina. Por mais genial que seja. Deve ser do facto de já ter 30 anos e ter crescido a ver a minha mãe a cozinhar coisas deliciosas em tachos e panelas que se areavam com palha de aço e secavam no escorredor de um dia para o outro, cobertas por uma toalha de loiça. 


domingo, 24 de novembro de 2013

Fechada para Balanço

domingo é o único dia da semana em que me dedico verdadeiramente ao dolce fare niente. É um bom dia tanto para descansar, como para calmamente fazer um balanço da semana que passou e programar a que se segue. Sobretudo quando chega este frio invernal, que convida ao retiro caseiro. domingo é o dia em que ao contrário do que acontece com todos os outros, durante a semana, me ponho a mim em dia. E por isso é também um dia útil. O mais útil de todos. 

Pequeno almoço reforçado e demoradamente degustado

Pôr o sono em dia, até o meu cão o faz...

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Pequenos Prazeres da Vida #6

Não sei se já repararam, mas todos os pequenos prazeres da vida que aqui coloco são low-cost. O objectivo é fazer um exercício tão necessário nos dias de hoje. Aprendermos a retirar prazer e consequentemente alguma dose de felicidade e contentamento nas coisas mais simples da vida. Basicamente valorizar o que temos numa tentativa de não vivermos constantemente frustados pelo que não temos. E quase toda a gente tende a ter cada vez menos. Comigo pelo menos tem funcionado. E tem-me feito muito bem. 

Um dos pequenos prazeres da minha vida é chegada uma tarde de domingo fria, sentir pela casa o cheiro de um bolo quente, acabado de sair do forno, misturado com o cheiro de leite com café. É uma mistura de cheiros que me aconchega os sentidos e me faz pensar: "estou bem, estou segura, estou em casa". 


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Namorado fora...

sexta-feira santa na casa...Ele lá foi todo contente jantar e ir para "os copos" com os amigos, com a desculpa que hoje era dia de jogo da selecção e tal. Agora que soube que ganhámos só me deve chegar a casa lá pelo amanhecer. Mas tudo pela nossa selecção!
E eu, pobre de mim, fiquei em casa a degustar um maravilhoso risotto de salmão acompanhado de um delicioso tinto. Para sobremesa gelado de apple crumble. Se não cuidarmos bem de nós, se não nos mimarmos, quem o fará? Porque depois de uma semana de trabalho cansativa sinto que mereço. E nada é mais relaxante para mim do que chegar ao final da semana e cozinhar o que me dá prazer. Seguem-se um livro, revistas e séries em atraso. Ai como estou desolada do rapaz me ter "abandonado"...

Um excelente fim de semana


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Sonhos Impossíveis

Esta noite, mais uma vez abateu-se sobre a minha cabeça uma insónia desesperante. A tradicional dança da mesma: vira para um lado, vira para o outro, eu a querer desligar o cérebro e ele a contrariar-me e a funcionar a mil. Nessas alturas tenho sempre ideias para posts que depois nunca se concretizam. Porque quando o corpo cede com dificuldade ao cansaço e finalmente durmo já as ideias se esfumaram durante o sono. 
Mas de vez em quando por muito poucas horas que durma, há dias em que acordo com um enorme sorriso. Hoje foi um desses dias.O meu cérebro dormiu pouco mas esse pouco foi o suficiente para me presentear com um daqueles sonhos vívidos e felizes. Sonhei que estava no concerto do Bruno Mars (não sei se já disse mas ADORO o Bruno Mars), na primeira fila com o meu pai. Os dois divertidos, a dançar e a trautear as músicas (sei todas de cor). Nem uma coisa nem outra serão possíveis. A primeira porque não tenho bilhete para o concerto de sábado, com muita mas mesmo muita pena minha, e a segunda por razões óbvias, o meu pai já morreu. O sonho permitiu-me viver um bocadinho desse momento, ainda que de modo irreal, mas mesmo assim já foi bom. 

Para a próxima pode ser um deste género já agora...