quinta-feira, 15 de maio de 2014

Fugir

É só mesmo isso que me apetece: fugir. Como diz aquela música bem foleira: "fugir pra bem longe outro lugar…" Mudar de ares, esplanadar, piscinar, praiar. Afastar-me desta rotina que me prende. Casa  para limpar e arrumar, loiça para lavar, roupa por passar, comida por cozinhar, cão doente por cuidar e uma angústia sem fim preocupada com o bicho, o trabalho, os clientes, as reuniões, os compromissos, as contas, passar a vida a fazer contas, as idas ao supermercado, as idas ao médico…Resta-me fechar os olhos, respirar fundo e continuar, já que fugir é apenas um desejo e não uma opção. 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Pequenos prazeres da vida #7

Acabei de fazer um caril vegetariano e tenho ao forno um bolo de chocolate. Esta mistura de cheiros, as especiarias do caril e o conforto do chocolate espalham-se pela casa e dão-nos aquele conforto de que este lugar, mais do que ser aquele onde moramos, é aquele onde agora pertencemos. 





domingo, 4 de maio de 2014

Coisas de mulher de 30 #2: Ser mãe


Gosto muito do dia da mãe. É simples, amo muito a minha mãe. É a pessoa mais importante para mim no mundo, agora que o meu pai já cá não está. A minha mãe chorou no início deste ano a morte da sua própria mãe, a minha avó. Que não foi para ele uma boa mãe. E é isso que mais admiro na minha mãe, ela conseguiu dar-me e ainda continua a dar até hoje amor, apoio incondicional, afecto, mimo e contenção, ou seja, ela conseguiu dar-me a mim o que nunca recebeu da mãe dela. Não sei como o fez, não sei com quem aprendeu a ser tão boa mãe, mas talvez hajam coisas que não se aprendam e na sua génese a maternidade é provavelmente uma delas.Quando uma mulher chega aos trinta, seja por parte de quem a rodeia, seja de si para si, a questão da maternidade começa a estar em cima da mesa. O relógio está a contar e nestas coisas o tempo passa depressa e é ingrato para as mulheres. Sabemos que com o avançar dos trinta a fertilidade vai decrescendo, é mesmo assim e a energia de uma mulher de 35 ou 40 anos não é igual a uma de 25 ou 30 para cuidar de um bebé. E se começamos a produzir tarde, a tendência também é produzir pouco. Já esticámos o prazo para ter o primeiro, não nos podemos alongar se queremos ir a um segundo ou terceiro. E em cima de tudo isto sabemos que o corpo já não recupera da mesma forma do que quando somos mais jovens. Em suma, a mãe natureza diz-nos que devemos ter filhos cedo, o ideal ali entre os 25 e os 35, a sociedade actual diz-nos que devemos ter filhos cada vez mais tarde ou se calhar talvez nunca. Costumo dizer que o meu relógio biológico, a existir, está sem pilha, avariado. Mas talvez seja só uma defesa para não sofrer por saber que chegada aos trinta a última coisa que poderia ser era mãe. Não tenho uma relação amorosa que me dê estabilidade emocional e não tenho possibilidades financeiras para ter um filho.O melhor é mesmo não pensar muito porque isso aumenta a probabilidade de viver angustiada com esse desejo impossível. Talvez um dia o meu relógio desperte. Se a minha relação melhorar ou se encontrar alguém com quem esse projecto a dois faça sentido. Se a vida também melhorar financeiramente e eu tenha mais trabalho e consequentemente mais dinheiro e possibilidades de sustentar um filho. Porque sem amor e sem dinheiro eu não sou feliz. E neste momento da minha vida escasseiam ambos.E eu sei que só feliz serei boa mãe. E eu quero ser no mínimo tão boa mãe como a minha mãe é para mim. E isso não é fácil. 

Fica um vídeo que apesar de ser de um anúncio acho muito bonito sobre as mães. E feliz dia da mãe para quem o é. 


sexta-feira, 18 de abril de 2014

O dia que mudou a minha vida

Aqui está o médico que mudou a minha vida, para melhor, muito melhor. Além de ser um excelente cirurgião também é uma excelente pessoa, que nunca me falhou neste processo complicado. Desde que me lembro, sempre transpirei excessivamente das mãos, dos pés e das axilas. Quem comigo andou na escola/liceu/faculdade, decerto se lembra do constante limpar das mãos aos lencinhos, de escrever sempre com uma folha por baixo da mão para não esborratar ainda mais o papel, ou de conduzir com um pano debaixo do volante para aparar as pingas de suor. Lembro-me que na escola primária a minha professora me dava grandes reprimendas porque os meus trabalhos de colagem com papel saiam uma bela porcaria, pois claro. Tinha as mãos literalmente encharcadas. Quando entrei no mercado de trabalho e na vida adulta, em que os apertos de mão se tornam no cumprimento da praxe em situações formais, a situação piorou. Evitava-os ao máximo e quando tinha mesmo que ser ficava imensamente constrangida. Identifiquei-me muito com o testemunho que está aqui no vídeo de outra doente. Pensei que teria que viver toda a vida assim, até que um dia, encontrei por puro acaso num jantar o Dr. Jorge Cruz, que surge na peça, e que é só um dos maiores especialistas a nível mundial na área do estudo e tratamento desta doença. Não existem mesmo coincidências... .Ao apertar-me a mãe me disse: "a menina tem hiperidrose". E eu: "Desculpe?". Logo ali me explicou, com toda a paciência que afinal o que eu tinha era uma doença e que tinha cura. Deu-me o seu cartão se um dia quisesse ir a uma consulta para aprofundar-mos o assunto. Isto foi em 2007 e só em 2010, volvidos 3 anos, ganhei coragem e peguei naquele cartão que nuca perdi, liguei e marquei a consulta. Uma semana depois estava na mesa do Dr. no Hospital da Cruz Vermelha pronta para o que desse e viesse. A recuperação não foi fácil confesso. Pelo menos no meu caso, devido a algumas pequenas complicações mas que facilmente superei e sempre com o apoio e serenidade do Dr. Jorge Cruz que nos faz desdramatizar as coisas. Já passaram 4 anos e não me arrependo nada. Antes pelo contrário gostava era de ter feito isto uns 15 anos antes. Nunca mais transpirei das mãos ou das axilas. O discurso já vai mais do que longo e assim como assim já ninguém o deve estar a ler a este ponto. Mas resumindo, mudou completamente a minha vida, a minha auto-estima, a minha segurança nas relações sociais etc. etc. Descobri um novo mundo ao qual as "pessoas normais" nem valorizam. Sentir as mãos quentes e secas. Não ensopar papéis, conseguir cozinhar ou comer sem que os utensílios me escorregassem pelas mãos. Ganhar sensibilidade nas mãos. O toque de tudo passou a ser diferente. Enfim, é tudo uma questão de não perder a esperança. A medicina evolui e há cada vez mais e melhores soluções para problemas com os quais achamos que temos de viver toda a vida e não temos. 

Fica o link para o programa "A tarde é sua"

terça-feira, 1 de abril de 2014

Nonsense

Quando as insónias, companheiras de toda uma vida, não atacam forte e feio e eu até consigo dormir tranquila uma noite inteira, sonho. Sonho muito e de forma disparatada como quase toda a gente. 
Esta noite sonhei com a Cristina Ferreira. Não admira, a mulher está em todo o lado. Ligamos a tvi lá está a Tininha, vamos à blogosfera lá está a daily Tininha supé fashion, abrimos uma revista lá está a Tininha a promover mais uma das suas 357 mil parcerias com marcas. Nada contra, mas com tantas imagens da Tininha a proliferar aqui pelo burgo mais dia menos dia ela chegaria aos meus sonhos. Espero não ter de lhe pagar direitos de imagem. Não me lembro muito bem do conteúdo onírico mas sei que metia fotografias, vestidos glamourosos e a Tininha a rir de orelha a orelha, ou melhor a rir do palato à epiglote. O chamado sorriso de hipopótamo, uma das suas imagens de marca.















E já que falamos de coisas sem sentido, já não deve faltar muito para sonhar com o CR7. Dado que é outro que também está em todo o lado. Que ele esteja em todo lado não me importo, mas o que não acho bem é que seja a cara do banco do qual sou cliente. Cada vez que abro o site do e-banking lá está ele, opulento, de braços cruzados com um sorrizinho cínico como quem diz: " olha bem para mim e agora vai lá consultar o teu saldo e chora!". Pelo menos em mim tem esse efeito que cada vez que vejo o meu saldo e me lembro do do CR7 fico com vontade de chorar e muito. Mau marketing é o que é. 




segunda-feira, 31 de março de 2014

Serviços mínimos

Depois de uma boas semanas em que tive algum trabalho e consegui manter o ritmo, como já vem sendo habitual, chega agora uma época mais parada, infelizmente. Tentei não me deixar abater e programei aproveitar o tempo mais folgado para adiar todas as coisas que andava a adiar, e o que eu adio a minha vida…Tratar de burocracias, comer melhor,voltar ao ginásio etc. Pois que já se passou uma semana e cumpri apenas aquilo a que chamo serviços mínimos. Do género cuidar do cão, dar um jeito à casa, ir ao supermercado, cozinhar qualquer coisa e pouco mais. De resto não fiz nada de absolutamente útil. Comer muito e mal, vegetar no sofá, dormir até tarde e sentir-me a pior das criaturas por isso. E pelo que parece andei a perder uma semana de sol espectacular. Vamos ver como é que a coisa corre nesta nova semana que começa, que de tanto adiar a minha vida um dia ela ainda passa de prazo.