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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Eu é mais bolos

São quase 7 da manhã e ainda não consegui pregar olho. Nada de novo e nada de grave dado que até janeiro estou numa espécie de férias. Digo espécie porque ando aqui por casa a comer, dormir, ler, limpar, vegetar, comer , ver séries atrás de séries e de vez em quando também como. Bolos, sobretudo muitos bolos, que isto de ter a mania de querer organizar tudo o que é convívio natalício cá em casa dá nisto. Nos dias seguintes passo os dias entre mousses de chocolate, bolos carregados de creme, chocolates que trazem como oferta. Só de escrever já me sinto um nadinha enjoada e deve ser por isso que estou a pensar que o que ia bem agora era uma sopinha de nabiças. 
Mas isto tudo para dizer que quando voltava agora de mais um ataque ao frigorífico me lembrei deste blogue que não actualizo há cerca de um ano. Foi um ano horrível e por isso simplesmente não me apeteceu escrever, correndo o risco de que isto se tornasse num muro das lamentações que parecendo que não é maçador, já que bem me posso queixar mas ninguém que eventualmente me possa ler é analgésico para me tirar as dores do corpo ou da alma vá. Por isso vou retomar a escrita. A minha escrita desinteressante que isto de blogues que vivem da escrita já foi chão que deu uvas. Como não pretendo falar de maquilhagem, cremes, sapatos, malas ou pedir para alguém de ir ali tirar fotos no parque verde com a minha roupinha insípida, só vou escrever para mim mesma está bom de ver. É que como dizia o outro: "eu é mais bolos".  




quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

12 meses 12 desejos

Chegam os últimos dias do ano e proliferam pela blogosfera posts onde se fazem balanços do último ano. Eu não faço balanços. Aprendo com as coisas boas e sobretudo com as más, quando acontecem. Encaixo na altura e eventualmente voltarei a utilizar esses ensinamentos de vida noutras situações em que a mesma me desafie. Costumo dizer que o meu lema é "encaixa e segue". Não perco muito tempo a ruminar sobre o que não vale a pena. Aos 31, já aprendi que a vida é demasiado curta para perdermos tempo a pensar naquilo que não podemos mudar, em investir em quem não vale a pena e a fazer massa folhada caseira. Nunca ninguém irá agradar a gregos e a troianos e não acredito, a menos que estejamos a falar de alguém que almeje a canonização, que não passamos pela vida sem conhecermos pessoas que não suportamos e   outras que não nos suportam a nós. Costuma ser recíproco.  

Posto isto aqui ficam os meus 12 desejos para 2015. Uns mais prosaicos que outros. Quando terminei a lista, salvo raras excepções, reparei que os meus 12 desejos não são consumistes ou materialistas. Nada contra com quem coloca na sua lista de desejos para 2015 receber aquele carro, mala, sapatos, jóias, o que seja que sempre desejou. Talvez seja eu que apesar de gostar de tudo isso, cada vez lhes dou menos valor. Mais coisas da idade...Não vale a pena fazer muitos planos pois tal como diz o ditado: "Fazemos planos e Deus ri". 

Aqui ficam então registados os meus 12 desejos, mais que não seja para que na hora de comer as 12 passas não me esqueça de nenhum e fique ali com aquilo na boca a tentar lembrar-me do que tenho que desejar mesmo antes de engolira algo que detesto mas que como por superstição. 

1- Adoptar um estilo de vida saudável. Não pretendo desatar a correr maratonas nem a beber sumos detox assim  do pé para a mão, mas já há muito que me sinto muito mal com o meu corpo e preciso de mudar pelo meu bem estar físico mas sobretudo mental. Vou mexer-me mais e fechar a boca. É uma luta que vou travar e talvez vá falando disso por aqui quem sabe. 
2- Aprender meditação e técnicas de relaxamento e começar a praticá-las. Sofro de um grande problema de ansiedade e gostava de encontrar soluções alternativas à medicação. Acredito que se começar a fazer exercício isso me possa ajudar também a nível físico. Mas a nível mental acho que preciso de ir um pouco mais além.
3- Fazer psicoterapia. Esta nem vale a pena explicar que dava pano para mangas mas o principal objectivo seria resolver muitas questões que sinto estarem muito mal organizadas dentro de mim e me bloqueiam. 
4- Ver concluído o seguimento a dois problemas de saúde com os quais me debato desde finais de 2013. Já estou fartinha de análises, ecografias, consultas médicas etc. etc. 
5- Ler mais e melhor. 
6- Ver mais e melhor cinema e séries. 
7- Que a minha mãe cuide mais da saúde dela. 
8- Estar mais com os meus amigos. 
9- Estar mais com quem me faz feliz e menos com quem não me identifico e que só tenho de conviver por obrigação. São anos de vida que ando a perder a aturar os pais do meu namorado que jamais irei recuperar. E eles não valem mesmo a pena. Não lhes desejo mal, apenas os desejo longe de mim mas isso um dia dará um belo post. 
10- Renovar a minha casa que bem precisa. Mudar uns papéis de parede que os que tenho já não os posso ver e alterar um pouco a decoração. 
11- Continuar as minhas aventuras na cozinha. Cozinhar é definitivamente uma das minhas maiores paixões.
12- Criar um novo projecto profissional ou voltar a estudar e ir finalmente tirar o meu mestrado. 



BOM ANO

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Só regressei ao trabalho há uma mísera semana, depois das férias. Mas sinto como se já tivesse passado um mês...Agora são aquelas semanas em que vivemos em contagem decrescente até ao fim de semana...Coragem! 


O 4º do dia.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Trintonas e encalhadas?

Ontem fez 5 anos que vivo com o meu namorado. Não houveram cá grandes comemorações, foi só mais uma desculpa para comer muito bolo de chocolate. Já passaram cinco anos e a minha relação já viu melhores dias, não o escondo. O meu último namoro durou 5 anos certinhos e estive dois sozinha até encontrar com quem estou agora.  Dois anos muito bons devo dizer. Por isso fazendo bem as contas, há cerca de 12 anos que sou praticamente comprometida. 
Muitas e muitas vezes assolam-me sempre as mesmas dúvidas no que toca à minha relação actual: "ainda valerá a pena quando tudo indica o contrário?", "será que vou ter forças para enfrentar uma separação?", "será que vou conseguir continuar a viver sem dividir despesas ou vou ter de voltar recambiada para a casa da minha mãe?", "mereço melhor ou será que não estou a dar valor ao que tenho?". Tudo muito complicado como dá para perceber. Mas a pior de todas, a dúvida que mais me angustia, é a de que "será que é possível reencontrar o amor depois dos trinta"? Dito assim parece uma estupidez, uma vez que com trinta anos não somos propriamente velhos. Mas nesta sociedade que vive a mil, depois dos trinta tenho ideia que é sempre a decrescer. Sejam nas oportunidades profissionais, seja no amor. No fundo acomodei-me e vivo uma relação que passa mais pela cumplicidade do que pela paixão. É mais do que óbvio que em relações duradouras a paixão é coisa dos primeiros tempos (e que bons que são esses tempos) em que as hormonas estão à flor da pele, a cabeça no ar sempre a pensar nele e o corpo sempre a pedir amor. Com o tempo  e o compromisso sério vem coisas más e chatas, como os problemas financeiras, as discussões por coisas do quotidiano. Os hábitos que antes eram tão fofos, hoje passam a ser detestáveis. Mas também vem as boas como a tranquilidade, o equilíbrio, o companheirismo, saber que podemos contar sempre com aquela pessoa nesse momento da nossa vida e ela connosco porque para o bem ou para o mal assumimos esse compromisso. Ainda que o mesmo comece a pesar e a desgastar-se. Mas mesmo que as coisas assentem, ainda tem de haver paixão e desejo, nem que sejam momentâneos.  
Eu não me sinto feliz é o que concluo. O meu maior medo é o que virá depois. Nunca fui pessoa de sair muito à noite, dada a rambóia, copos, flirts, casos, nada de nada. Não que seja púdica é mais por ser mesmo totó. E acho que ou me contento com o que tenho ou se arrisco provavelmente   definhar, afogando as minhas mágoas em tequilla. A devorar séries, livros e doces. Rodeada de cães que passeio a muito custo pois nessa altura já devo pesar uns 120 kgs e ter um programa no TLC. Mas e se nada disso acontecer?? Se eu me sentir renascida, desatar a treinar que nem uma Carolina Patrocínio, ficar uma boazona, cuidar mais de mim, sair mais, viver mais e quem sabe encontrar alguém. O pior é que sei que com a minha idade e depois de tantos anos fora do mercado vou provavelmente "quebrar a cara" (como dizem os brasileiros) muitas vezes. E a minha paciência para joguinhos infantis de sedução já não é a mesma. Dúvidas e mais dúvidas. É isto a minha existência. A ver vamos. Em breve espero ter novas notícias. 


segunda-feira, 31 de março de 2014

Serviços mínimos

Depois de uma boas semanas em que tive algum trabalho e consegui manter o ritmo, como já vem sendo habitual, chega agora uma época mais parada, infelizmente. Tentei não me deixar abater e programei aproveitar o tempo mais folgado para adiar todas as coisas que andava a adiar, e o que eu adio a minha vida…Tratar de burocracias, comer melhor,voltar ao ginásio etc. Pois que já se passou uma semana e cumpri apenas aquilo a que chamo serviços mínimos. Do género cuidar do cão, dar um jeito à casa, ir ao supermercado, cozinhar qualquer coisa e pouco mais. De resto não fiz nada de absolutamente útil. Comer muito e mal, vegetar no sofá, dormir até tarde e sentir-me a pior das criaturas por isso. E pelo que parece andei a perder uma semana de sol espectacular. Vamos ver como é que a coisa corre nesta nova semana que começa, que de tanto adiar a minha vida um dia ela ainda passa de prazo. 


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Tudo se faz tudo se resolve

Tenho uma amiga que é o cúmulo do stress e da ansiedade,  consegue a proeza de ser pior do que eu. Uma vez contou-me que quando sente que está a chegar ao "ponto de ebulição" face às contrariedades da vida, repete para si "tudo se faz, tudo se resolve". 
Admito que ultimamente ando a tentar fazer o mesmo exercício. E se pensarmos bem, excepto os fatídicos casos,  como o do meu pai, em que falamos de graves problemas de saúde, todas aquelas chatices diárias que se vão acumulando no dia a dia, parecem-nos à partida muito mais dramáticas do que aquilo que realmente são. O que distorce tudo, na minha opinião, é a ansiedade, o cansaço, o desgaste do mais do mesmo. Como escrevia Saramago em "Clarabóia" é "a morfina dos dias". No meu caso sinto que a vida anda a passar por mim e eu nem dou por isso. Sinto o passar dos meses com a chegada das contas e a fazer contas à vida, ou melhor ao mês. Entre casa, trabalho e namorado o tempo vai passando, reclamo como toda a gente que o tempo passa a correr, porque provavelmente não o ando a saborear. Mas se das coisas que pretendo fazer, neste ano que a nível financeiro se avizinha o pior de todos para mim, é aprender a saborear o que tenho em vez de me entregar à frustração de pensar no que não tenho, e gostava de ter.E não são poucas coisas acreditem. Como qualquer comum mortal tenho fortes desejos de consumo aos quais não posso sucumbir, mas posso sonhar. A falta de dinheiro vai trazer-me outras coisas boas que não se compram. Disso tenho certeza. Ou se se comprarem, tenho a certeza de que não serão demasiadamente caras. 

Boa semana

A minha secretária onde sempre começa e muitas vezes acaba o meu dia...


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

"Cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas"

Janeiro foi no mínimo um mês intenso, cheio de altos e baixos. Na verdade mais baixos do que altos mas enfim. Pelos primeiros dias de Fevereiro sinto que será um mês mais tranquilo. E eu bem preciso dessa tranquilidade para digerir tudo o que este novo ano me trouxe.
As coisas boas resumiram-se como já aqui falei, ao facto de saber que o tumor que retirei do peito no final de 2013, era felizmente benigno. Também tive muito trabalho e isso é bom. 
Mas Janeiro levou-me a minha avó, que morreu dia 17 com 87 anos, vítima de uma pneumonia. Não vale a pena estar aqui a expressar a dor que isso trás porque quase toda a gente consegue empatizar com a mesma. O meu pai morreu no último dia de Janeiro de 2010 e todos aqueles rituais de despedida da minha avó (velório, pêsames, enterro) fizeram-me viver fantasmas dolorosos, que apesar de estarem sempre comigo na maioria do tempo, estão adormecidos. E é nestas alturas que me atingem e não tenho outra escolha a não ser lidar com eles e inevitavelmente, sofrer. O Inverno tende a levar-me as pessoas que amo, é o que posso concluir. 
Por outro lado, apesar de ter tido muito trabalho, sou freelancer e só costumo receber a 60 dias. Janeiro foi então um mês especialmente apertado a nível financeiro, como não o era há meses, em que andei em stress, literalmente a contar tostões para que nenhuma conta ficasse por pagar e nada faltasse para assegurar o mínimo conforto e bem- estar aqui por casa. 
Como se tudo isto não bastasse, uns dias depois da morte da minha avó, recebo a meio da noite um telefonema da minha mãe, a dizer-me que sentia um forte aperto no peito, não conseguia respirar e achava que lhe ia dar algo. Corri até ficar sem fòlego até à casa dela, a cerca de três minutos a pé da minha, e quando lá cheguei toca de ir para o hospital. Afinal foi um pico de tensão e o coração também estava em arritmia. Já está a ser medicada mas todos os dias tenho de lá passar por casa para me certificar que tomou o comprimido, qual menina pequenina e teimosa e dar-lhe um sermão para continuar a ver a tensão e marcar uma consulta a sério no médico de família. Escusado será dizer que com estes problemas de coração da minha mãe, o meu anda em sobressalto. Já perdi o meu pai, mal vejo as minhas irmãs e sobrinhos e a minha mãe é tudo o que tenho de bom e incondicional neste mundo. Não saberia viver sem ela. Juro que não. 
Por fim, como a médica me aconselhou a parar de fazer exercício durante um mês depois da cirurgia (já lá vão quase dois), com as épocas festivas e com o facto de ainda continuar a comer desregradamente, como forma de  me compensar afectivamente, da última vez que me pesei já cá cantavam cinco quilos extra. Que além da mossa na minha auto-estima ainda me vão fazer sofrer muito para dar cabo deles. 
E posto isto esperam-se melhores dias, ou pelo menos mais tranquilos. E como canta o Sérgio Godinho no "Coro das Velhas": "Cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas". E enquanto assim for, não é mau. 



quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Bloqueada

O ano de 2014 ainda agora começou, mas já promete ser um dos mais intensos de sempre, a julgar por tudo o que se tem passado no mês de Janeiro. Não tem sido fácil, muitos embates que põem à prova a minha resistência física e sobretudo psicológica. Dou por mim muitas vezes com vontade de correr para aqui e ir registando o que se vai passando e o que vou sentido. Mas acabo por adiar, adiar e a coisa perde-se. Quando a tempestade amainar e vier a bonança conto os detalhes deste mês. Isto na esperança que Fevereiro seja mais calmo, se não o for, cá estarei, para aprender e crescer. 

mulher leoa, sportinguista de gema:) 

domingo, 12 de janeiro de 2014

Até ao próximo natal

Hoje foi finalmente o dia de recolher toda a decoração natalícia. E se para uns isso é motivo de nostalgia, para mim é um alívio. Cada vez que penso que acabaram as festas, ano após ano, o meu pensamento é sempre o mesmo: "sobrevivi". Cumpro todas as tradições numa tentativa de me animar com a coisa, mas nunca acontece. Desde que perdi o meu pai que a coisa esmoreceu na minha família. Só mesmo pelos abraços, beijos e sorrisos dos meus sobrinhos e por tê-los aqui aos cinco, juntinhos na minha casa, já valeu muito a pena esta época. Para 2014 só tenho uma resolução: " nada de resoluções". O susto de saúde que apanhei no final do ano passado faz com que agora só queira viver um dia de cada vez, com a maior tranquilidade possível. O que no meu caso, já é um enorme pedido. 




A arrumação das minhas decorações

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Correrias

Já há dois anos que saí de Lisboa e reconheço que a minha qualidade de vida melhorou substancialmente. Os anos de vida que se perdem no trânsito, tentações a cada esquina que nos fazem gastar o que não devemos, o preço de bens e serviços inflacionados, de tudo isto não tenho saudades. Mas hoje passei o dia a viver como vivia naquilo que chamo "a minha outra vida". Perdida nos meus pensamentos a cada sinal de trânsito, sempre a correr de compromisso em compromisso, almoçar um bom sushi, devorar um pão de deus da Padaria Portuguesa ao lanche, queimar a língua com uma bica a ferver bebida à pressa no balcão. E chego ao fim do dia assim, cansada mas satisfeita. E ainda com um resto de energia para ter uma quiche no forno, fazer duas máquinas de roupa e uma de louça. Amanhã há mais. E eu gosto disso. 


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Desconectada

O meu velho portátil há muito que andava a ameaçar que já tinha dado o que tinha a dar, eu fui ignorando, até ao dia. Agora escrevo do meu novo brinquedo, uma extravagância de natal antecipada que ofereci a mim mesma, apesar de não conseguir deixar de sentir umas pontadas de culpa consumista, dado que o antigo ainda tinha arranjo. Quando fiquei sem computador e consequentemente sem acesso à internet fiquei completamente histérica. Primeiro porque o portátil é o meu principal instrumento de trabalho e temia perder a informação que ele continha e em segundo porque sou completamente viciada na net. Fiquei apenas um dia sem portátil e parecia sempre que me faltava alguma coisa. Fiquei agitada, ansiosa, qual adicto sem o seu vício. 
Lembrei-me então do último bom filme que vi no cinema, "Disconnect" ( em português "Desligados"). O filme cruza três histórias que abrangem temas como problemas conjugais, dificuldades de comunicação entre pais e filhos, cybersexo e cyberbullying. O que todas as histórias tem em comum é o facto dos protagonistas das mesmas viverem, cada um à sua maneira, desligados da realidade, das suas relações pessoais, numa solidão pessoal e íntima colmatada pelo uso da internet e das suas redes socias, através de portáteis, tablets ou smartphones que proliferam e fazem com que estejamos sempre conectados. Ou melhor, cada vez mais conectados com um mundo virtual e cada vez mais disconectados com o mundo real, na minha opinião. Não quero estar para aqui com discursos à velho do Restelo, lamentando a evolução dos tempos e saudosista do que já não volta, não faz o meu género. Sou mais do estilo de viver o melhor possível o presente sem remoer demasiado no passado ou antecipar muito o futuro. Prefiro assim, vivo mais calma. Mas não deixo de ter alguma dificuldade em ver e sentir que andamos cada vez mais auto-centrados e consequentemente cada vez mais distantes uns dos outros. Cá em casa, por exemplo,  são inúmeros os serões em que está cada um para o seu canto, agarrado ao portátil, ao tablet ou ao telemóvel. Calculo que seja mais forte que nós.  O tempo passa a voar e de repente sabemos mais novidades sobre a vida de uma blogger do que de uma amiga que já não vemos há algum tempo. Mas no fundo, acredito que a necessidade de estarmos fisicamente junto de quem gostamos acabará por vingar. Haja fé no ser humano. Quanto ao filme, aconselho vivamente, vale mesmo, mesmo a pena. 





domingo, 24 de novembro de 2013

Fechada para Balanço

domingo é o único dia da semana em que me dedico verdadeiramente ao dolce fare niente. É um bom dia tanto para descansar, como para calmamente fazer um balanço da semana que passou e programar a que se segue. Sobretudo quando chega este frio invernal, que convida ao retiro caseiro. domingo é o dia em que ao contrário do que acontece com todos os outros, durante a semana, me ponho a mim em dia. E por isso é também um dia útil. O mais útil de todos. 

Pequeno almoço reforçado e demoradamente degustado

Pôr o sono em dia, até o meu cão o faz...

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Namorado fora...

sexta-feira santa na casa...Ele lá foi todo contente jantar e ir para "os copos" com os amigos, com a desculpa que hoje era dia de jogo da selecção e tal. Agora que soube que ganhámos só me deve chegar a casa lá pelo amanhecer. Mas tudo pela nossa selecção!
E eu, pobre de mim, fiquei em casa a degustar um maravilhoso risotto de salmão acompanhado de um delicioso tinto. Para sobremesa gelado de apple crumble. Se não cuidarmos bem de nós, se não nos mimarmos, quem o fará? Porque depois de uma semana de trabalho cansativa sinto que mereço. E nada é mais relaxante para mim do que chegar ao final da semana e cozinhar o que me dá prazer. Seguem-se um livro, revistas e séries em atraso. Ai como estou desolada do rapaz me ter "abandonado"...

Um excelente fim de semana


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Sonhos Impossíveis

Esta noite, mais uma vez abateu-se sobre a minha cabeça uma insónia desesperante. A tradicional dança da mesma: vira para um lado, vira para o outro, eu a querer desligar o cérebro e ele a contrariar-me e a funcionar a mil. Nessas alturas tenho sempre ideias para posts que depois nunca se concretizam. Porque quando o corpo cede com dificuldade ao cansaço e finalmente durmo já as ideias se esfumaram durante o sono. 
Mas de vez em quando por muito poucas horas que durma, há dias em que acordo com um enorme sorriso. Hoje foi um desses dias.O meu cérebro dormiu pouco mas esse pouco foi o suficiente para me presentear com um daqueles sonhos vívidos e felizes. Sonhei que estava no concerto do Bruno Mars (não sei se já disse mas ADORO o Bruno Mars), na primeira fila com o meu pai. Os dois divertidos, a dançar e a trautear as músicas (sei todas de cor). Nem uma coisa nem outra serão possíveis. A primeira porque não tenho bilhete para o concerto de sábado, com muita mas mesmo muita pena minha, e a segunda por razões óbvias, o meu pai já morreu. O sonho permitiu-me viver um bocadinho desse momento, ainda que de modo irreal, mas mesmo assim já foi bom. 

Para a próxima pode ser um deste género já agora...

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

"Dou-te uma semana"

Não queria lá muito que este blog se transformasse no muro das minhas lamentações. Mas escrever aqui tem um efeito catártico que me serena. É como se ao enviar o meu desabafo para o vácuo blogosférico algum peso saísse de mim. E é definitivemente mais barato que ir ao psicólogo, se bem que também gostava se pudesse. Tudo isto para dizer que não ando em mim e tenho razões literalmente palpáveis para isso. Desde a primeira ida à médica, passando pelos exames que ainda não terminaram e que não se mostram nada animadores as coisas não têm estado fáceis. Mas prometi a mim mesma, ou melhor, ordenei a mim mesma, que me dava uma e apenas uma semana para ficar triste e desanimada. E entretanto já passaram duas, que isto de sermos comandantes do que sentimos é meio caminho andado para ficarmos à deriva, qual barco sem rumo. Repito para mim própria que só vale a pena preocuparmo-nos com as coisas na altura em que realmente temos de lidar com elas. E acabo sempre por concluir que podemos programar quase tudo na vida menos as preocupações. Sendo assim alarguei o prazo e quando acabar esta segunda semana não me perdoarei se continuar a arranjar desculpas para me afundar em pão, bolachas, bolos e chocolates numa vã tentativa de encher o estômago para esvaziar a cabeça. Já falta pouco. Assim espero, ou melhor, assim ordeno.
O desleixo nestas coisas é o pior inimigo da prevenção e de um bom prognóstico. Por isso não sejam como eu e CUIDEM-SE. 

domingo, 20 de outubro de 2013

Até onde conseguimos aguentar?


Costumo ir semanalmente ao cinema, sou uma cinéfila inveterada. mas ultimamente têm sido desilusões atrás de desilusões. Valham-me os baldes de pipocas doces para que não fique tudo perdido. O último filme que me fez sair realmente satisfeita do cinema foi o "Blue Jasmine" do Woody Allen. Não me vou pôr aqui armada em crítica de cinema a analisar os diálogos, as interpretações, a fotografia, a banda sonora e eu sei lá mais o quê, que para mim os filmes inserem-se em duas simples categorias:" gostei" e "não gostei". Também ajuda muito o facto de eu adorar a Cate Blanchett e quase todos os filmes deste realizador. Mas desta vez a actriz superou-se, estava perfeita no papel de Jasmin. Uma mulher mentalmente instável, que depois de uma vida repleta dos maiores luxos em Nova Iorque, casada com um magnata das finanças, se vê sem nada após a prisão do mesmo por corrupção, tendo que pedir guarida na casa da irmã adoptiva em São Francisco de seu nome Ginger que tem um gosto duvidoso para roupa, penteados e homens. Da vida sumptuosa que Jasmim levava, restou-lhe o fino trato, a pose quase aristocrática, um tailleur branco Chanel, uma Birkin da Hermés que usa praticamente durante todo o filme e um cocktail de ansiolíticos e anti-depressivos que toma como se fossem smarties, para tentar alienar-se da queda livre em que a sua vida se transformou.


Gostei do filme por muitas coisas mas a principal foi porque me pôs a pensar. Há uma frase que a personagem diz a respeito do facto de ter sofrido um surto psicótico e ter sido apanhada a falar sozinha no meio da rua: "Anxiety, nightmares and a nervous breakdown, there’s only so many traumas a person can withstand until they take to the streets and start screaming”. O que em português seria qualquer coisa como: " Ansiedade, pesadelos e um esgotamento nervoso, a quantos traumas pode uma pessoa resisitir até ir para as ruas e começar a gritar?". E o que me inquietou foi não saber ao certo no meu caso, a resposta a esta pergunta. Sei que a capacidade de resiliência varia muito de pessoa para pessoa. A minha mãe,  por exemplo, é a pessoa mais resistente que conheço. Já passou na vida por coisas terrivelmente duras e sempre conseguiu superar-se e sair fortalecida. Eu acho que isso herdei um pouco dela. A minha vida já teve tantos altos e baixos (ultimamente mais baixos), daqueles mesmo complicados, que quando pensava que se um dia me acontecessem nunca iria resistir e quando esses dias chegaram superei, com sequelas mas aqui estou. Mas isso não significa que durante a travessia das tempestades, não tivesse achado que já não dava mais, o copo já tinha transbordado e só me apetecia desistir. E para mim desistir significaria entregar-me e dar-me como louca, esgotada, uma mulher descabelada as gritos por ajuda no meio da rua. Também duvido que alguém se compadessece mas isso já é outro assunto. Certo é que com 30 anos já tive e continuo a ter a minha quota parte de desaires, daqueles amargos e isso nunca me quebrou, ou mais importante, fez perder a esperança. Eu acredito sempre que se consegui superar antes um obstáculo à minha felicidade, também o conseguirei superar agora e que um dia tudo serenará e encontrarei o equilíbrio tão desejado. Por isso só posso concluir que consigo aguentar muito e que provavelmente só me verão a gritar em plenos pulmões no meio da rua, 
quando o meu Sporting for campeão. 


terça-feira, 15 de outubro de 2013

Carochinha

No dia em que eu chegar a casa e estiver à minha espera um lindo homem, que me pergunte o que quero jantar, o cozinhe divinalmente, arrume a cozinha, passeie o meu cão, despeje o lixo e me adormeça no seu peito com festas no cabelo, convencendo-me que vai tudo correr bem, eu caso-me. É por isso que desconfio seriamente que vou morrer solteira. 



terça-feira, 1 de outubro de 2013

Eu já gostei de chuva...

- Quando não morava num apartamento e não tinha de ir passear um golden retriever peludo de 40 kg;
- Quando tinha máquina de secar roupa;
- Quando a minha mãe tinha carro e não tinha de andar a pé ou de transportes públicos;
- Quando o cabelo frizado me passava ao lado; 
- Quando tinha 17 anos e refugiar-me da chuva com o meu namoradinho de adolescência era romântico  e o momento perfeito para beijos apaixonados;

ou seja, não gosto de chuva há muito muito tempo...







segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Portugueses em saldo

Este sábado experimentei participar num dos chamados "Open Days" que algumas companhias aéreas vêm fazer ao nosso país, por forma a recrutar pessoal de cabine (assistentes e comissários de bordo). Já há bastante tempo que andava com esse desejo e desta vez lá tentei a minha sorte. Agora o que eu jamais imaginava é a forma como as coisas se processam nos mesmos. No site dizem para quem estiver interessado estar no hotel x às 9 em ponto da manhã, vestido de forma formal e acompanhado do CV e de uma foto. Na minha inocência cheguei pontualmente e qual não é o meu espanto quando me dizem para me dirigir para o fim de uma fila de cerca de 400 pessoas que dava a volta ao quarteirão da rua do hotel. Ainda meio incrédula vi rapidamente atrás de mim chegarem num espaço de minutos mais umas centenas. No fim do dia disseram-nos que ao todo tinham sido 600 as pessoas que ali se deslocaram com o mesmo propósito. A fila andou e entrou no hotel a primeira leva do dia. Eu fiquei na segunda, cerca de 200 pessoas que esperaram cerca de 6 horas (sim chegámos às 9h e entrámos no auditório às 15h) na garagem do hotel, ambiente quente a tresandar a dióxido de carbono. Tanto tempo de espera serve para travar conhecimento com os companheiros de fila e rapidamente as conversas fluem, as pessoas tornam-se solidárias e revezam-se para ir almoçar. Saem sapatos de salto alto, saem gravatas, os cabelos desgrenha-se, a maquilhagem desaparece e o chão torna-se um lugar de descanso onde camisas brancas e saias tubo impecavelmente engomadas na noite anterior ganham vincos e nódoas. Percebi que a maioria eram pessoas dos 25 aos 35 anos, licenciadas, que ou estavam desempregadas ou como é o meu caso trabalhavam numa área que as frustava e onde eram mal remuneradas. Basicamente todos almejavam mudar de vida e invariavelmente sair do país, já que neste caso a companhia é sediada no Dubai. E ali estivemos, horas a fio sem reclamar, a suar em bica, o cansaço a acumular-se e o nervosismo a aumentar. Mas ninguém reclamava. Chegados ao auditório aguardavam-nos duas mulheres cuja nacionalidade não consegui decifrar mas com um inglês com sotaque carregado, que nos explicaram em cinco minutos os requerimentos para o lugar e que aquele dia apenas servia para entregarmos o nosso CV com uma foto e que dedicariam a cada pessoa cerca de 30 segundos, não mais. Chegada a minha vez entreguei o cv e respondi à única pergunta que me foi feita: se trabalhava no mesmo sítio há 5 anos porque queria agora mudar. Só tive tempo de balbuciar qualquer coisa como estar motivada a mudar de vida e a aprender coisas novas. Nem vinte segundos até ela me dizer "thank you for coming" e eu estar a caminho da porta sem perceber muito bem como tinha corrido ou o que raio se tinha passado ali. O que me surpreendeu e continua ainda a fazer-me "ruminar" foi o facto de comunicarem que as pessoas que passassem à segunda fase do processo, que decorreria no domingo, seriam contactadas por telefone até às 20h.  Mas que raio de técnica usam aquelas duas para em cerca de duas horas analisarem 600 Cvs e telefonarem para não sei quantas centenas a pedir que regressem? Será que é como naqueles concursos em que uma assistente mergulhava numa "piscina" de cupões e retirava à sorte o vencedor? Não entendo e acho que vou continuar sem resposta uma vez que não fui uma das felizes contempladas com o telefonema da sorte. Sinceramente não me importei muito, tirando o facto do desconforto que toda aquela espera causou. Não sinto que tenha falhado porque fiquei com a sensação de nem sequer ter tido uma oportunidade. O que conclui é que se todas aquelas pessoas estavam dispostas a deixar o seu país, as suas casa e aqueles que amam, com direito a apenas uma viagem por ano ao país de origem e com um vencimento mensal de 1870 euros,  definitivamente nós portugueses aos olhos dos empregadores estrangeiros estamos definitivamente em saldo.  


sábado, 20 de julho de 2013

Gata borralheira

Hoje, para variar, tenho a casa impecavelmente arrumada e limpa. Tudo nos devidos sítios. Roupa passada, loiça lavada, chão aspirado e pó bem limpo. É certo que daqui a menos de três dias já estará tudo do avesso mas esta organização externa acalma-me um pouco. Quem dera que fosse assim tão fácil num dia arrumar as gavetas que tenho desorganizadas na minha cabeça e no meu coração.