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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Tudo se faz tudo se resolve

Tenho uma amiga que é o cúmulo do stress e da ansiedade,  consegue a proeza de ser pior do que eu. Uma vez contou-me que quando sente que está a chegar ao "ponto de ebulição" face às contrariedades da vida, repete para si "tudo se faz, tudo se resolve". 
Admito que ultimamente ando a tentar fazer o mesmo exercício. E se pensarmos bem, excepto os fatídicos casos,  como o do meu pai, em que falamos de graves problemas de saúde, todas aquelas chatices diárias que se vão acumulando no dia a dia, parecem-nos à partida muito mais dramáticas do que aquilo que realmente são. O que distorce tudo, na minha opinião, é a ansiedade, o cansaço, o desgaste do mais do mesmo. Como escrevia Saramago em "Clarabóia" é "a morfina dos dias". No meu caso sinto que a vida anda a passar por mim e eu nem dou por isso. Sinto o passar dos meses com a chegada das contas e a fazer contas à vida, ou melhor ao mês. Entre casa, trabalho e namorado o tempo vai passando, reclamo como toda a gente que o tempo passa a correr, porque provavelmente não o ando a saborear. Mas se das coisas que pretendo fazer, neste ano que a nível financeiro se avizinha o pior de todos para mim, é aprender a saborear o que tenho em vez de me entregar à frustração de pensar no que não tenho, e gostava de ter.E não são poucas coisas acreditem. Como qualquer comum mortal tenho fortes desejos de consumo aos quais não posso sucumbir, mas posso sonhar. A falta de dinheiro vai trazer-me outras coisas boas que não se compram. Disso tenho certeza. Ou se se comprarem, tenho a certeza de que não serão demasiadamente caras. 

Boa semana

A minha secretária onde sempre começa e muitas vezes acaba o meu dia...


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O que não nos mata...

E pedia ela um mês de Fevereiro mais tranquilo, enquanto o universo ria e esfregava as mãos ao pensar " nem sonhas o que te espera". Não passou ainda nem uma semana e já rebentou outra bomba na minha mão. O estado de nervos em que me encontro ainda não me permite escrever sobre o que aconteceu. Mas basta dizer que mete ao barulho duas palavrinhas lindas, que todos sorriem quando ouvem o seu doce som a sibilar entre os lábios: "penhora" e " segurança social". Pelo menos ninguém morreu. Só mesmo a minha esperança num país melhor. Já consegui parar de barafustar e de chorar portanto deve faltar pouco para aceitar o que aconteceu, com a certeza de que se sobreviver a este ano pelo menos três coisas fico de certeza: (ainda) mais pobre, mais forte e mais sábia. 


terça-feira, 22 de outubro de 2013

Como é linda a puta da vida*

Eu não sou grande fã do Miguel Esteves Cardoso, mas reconheço o seu talento para criar frases que tão bem resumem a minha vida. Esta hoje não me saiu da cabeça, quando logo de manhã cedo, aterrou na minha secretária uma volumosa carta da querida Segurança Social. Ora sendo eu uma trabalhadora dita "independente", ou seja, que trabalho a recibos verdes apesar de prestar serviços apenas a uma empresa, o meu coração começou de imediato a palpitar. De alegria e contentamento como se deve imaginar. Não que eu já não desconfiasse que mais dia menos dia o "monstro adormecido" iria acordar e vir ter comigo. Confesso que tenho andado a assobiar para o lado e falhado os pagamentos. Dão-se  meses em que não ganho sequer o montante que estes senhores estabeleceram como o pagamento mensal que lhes devo, em troca deixa cá ver de basicamente NADA, já que não tenho direito a subsídio de desemprego nem coisa que o valha. Nesses meses achei por bem gastar mensalmente esse dinheiro na ajuda do pagamento de pequenos luxos como comida, renda de casa, contas da água, luz, ou gás. Certo é que quando abri o envelope e vi o montante que tenho em divida fiquei inicialmente atónita e com o passar do tempo cada vez mais enraivecida. É claro que os senhores são muito queridos e anexam impressos para que paguemos a dívida em suaves prestações. Sim porque tudo o que eu preciso é de mais uma prestação mensal para no fim receber em troca: como é que é mesmo? NADA. É o chamado fundo perdido porque reforma também não a vou ter com toda a certeza. Mas enfim nada que não se resolva como tudo neste país, largando os cordões à bolsa. Posso começar por prescindir da comida já que tenho peso a mais e do gás já que dizem que a água geladinha logo pela manhã faz bem à circulação e ajuda a despertar. Ai e o que eu anseio fortemente que chegue amanhã, dia em que terei de acordar por volta das cinco da manhã para ver se consigo uma mísera senha e me expliquem como se eu fosse muito burra, como chegaram àquele montante de milhares de euros quando o meu rendimento é de chorar a rir. E como hoje já sabia que iria passar a noite em claro resolvi ir ao supermercado para estar agora aqui a cozinhar desenfreadamente. Bolo de chocolate a cozer no forno para levar uma fatia fresquinha aos simpáticos funcionários da SS e carne de vitela estufada com legumes para o almoço de amanhã. É que por este andar para a semana a ementa vai intercalar entre ovos mexidos com salsichas e arroz com atum. E realmente é isto, a vida pode ser linda mas para mim ultimamente só tem sido é muito PUTA. 

* título do último livro de compilação de crónicas do Miguel Esteves Cardoso, publicado este ano pela Porto Editora. 

P.S.: E já para não falar que por cada recibo que passo 25% é automaticamente retido na fonte, sendo cuidadosamente acomodado nos cofres do estado...